Maquetes em três dimensões corrigem falhas na construção

Richard Pfister
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
richard.pfister@rac.com.br

Construir um bom projeto de engenharia passa hoje, necessariamente, pelo computador. As maquetes em três dimensões ajudam a viabilizar projetos, prevendo falhas, e corrigindo-as, antes mesmo de a fundação ser iniciada. Vários softwares cumprem essa função. O tradicional AutoCAD é o mais usado por engenheiros e arquitetos. Há programas para aplicações específicas. O CalcuLux, da Philips, ajuda a planejar a iluminação.
O mercado abriga inclusive aplicativos gratuitos, como SketchUp, do Google, usado para elaborar desenhos em 3D, como o AutoCAD.Os programas simulam tudo. Textura da parede, materiais utilizados na construção e até posição dos móveis. A velha e boa maquete é criada com a ajuda de modernas máquinas. Equipamentos imprimem o projeto em relevo, para melhor visualização da planta, e cortadoras a laser permitem maior precisão e detalhismo também nas maquetes físicas.
A evolução permite economia de tempo na execução do projeto, revertido em testes meticulosos para garantir qualidade e segurança de uma obra. Antes da invasão dos softwares de desenho, na metade dos anos 80, um projeto bem feito de uma casa poderia demorar mais de uma semana para ficar pronto, segundo profissionais da área. Usava-se lápis, régua, papel vegetal, prancheta e calculadora. Hoje, o projeto fica pronto em um dia.
Os modelos desenhados no computador são transformados em uma maquete e avaliados, explica o coordenador do curso de arquitetura e urbanismo Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, professor Leandro Medrano. Problemas anotados, as correções são feitas no computador e nova maquete é construída. O método é chamado de engenharia reversa e o processo se repete enquanto for necessário.
Tudo para corrigir os mínimos erros. “O tempo ganho com a tecnologia é gasto na aferição dos projetos. Ganhamos em qualidade”, diz Medrano. Presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Campinas, Paulo Sérgio Saran afirma que as maquetes reais e virtuais se complementam. “O ganho de tempo na elaboração dos projetos foi enorme com a evolução dos softwares. Antes se perdia muito tempo no trabalho braçal”.
Saran explica que a maquete física ajuda na a formação profissional, mas que os escritórios de engenharia e arquitetura não têm como elaborar maquetes reais para todos seus projetos. “No computador é possível desenhar uma maquete rapidamente, dando uma visão espacial do projeto”, completa Saran.
O arquiteto Aquiles Nícolas Kílaris afirma que a evolução dos softwares chegou a um estágio em que todos os problemas que possam surgir durante a construção são previstos e resolvidos diretamente no projeto virtual, sem a necessidade de uma maquete real. “Na nossa experiência, as aferições se equiparam entre uma maquete real e uma virtual.
É possível resolver todos os problemas do projeto no computador, antes da obra começar, evitando desperdício de tempo e dinheiro”. Walk thru visita interior do edifício Para que o cliente tenha uma melhor visão de sua casa, alguns escritórios fazem uma apresentação chamada walk thru. É um passeio virtual por dentro da construção. “O software dá a sensação de estar dentro da casa. É possível saber exatamente como ela vai ficar depois de construída ao visualizar diversos ângulos”, diz Aquiles Nícolas Kílaris.
Ele ainda começa um projeto no lápis e papel. Faz um esboço de acordo com o desejo do cliente e coleta informações sobre o terreno onde a obra será construída, iluminação natural e declive do solo. Depois, vai para o computador. Garante que as maquetes eletrônicas são bem próximas da realidade, inclusive com simulações de ventilação e vegetação, facilitando não apenas a vida dos arquitetos e engenheiros, mas também de paisagistas e decoradores.
SAIBA MAIS
O mercado de construção civil está aquecido. Após um longo período de estagnação, o setor registrou crescimento de 15% em 2007 e a previsão para este ano é de 20%. Se a crise econômica internacional não afetar a linha de crédito para habitação no Brasil, o crescimento do setor não deve parar por aí. Segundo o presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo, João Crestana, os empreendedores ainda não operam no limite de suas capacidades produtiva e de comercialização.
Isso significa que o setor pode crescer, com maior demanda por softwares para o desenho de projetos e profissionais especializados.Empresas do setor exigem profissionais atualizados Aplicativo permite incluir diversas plantas, como hidráulica e elétrica, num só projeto Profissionais de arquitetura e engenharia precisam estar constantemente atualizados se quiserem acompanhar a evolução do mercado de softwares para a área.
“A cada dia tem avanço. É difícil para o profissional se manter atualizado sobre o que existe de mais novo em softwares. Nem os cursos conseguem acompanhar”, avalia o presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos de Campinas, Paulo Sérgio Saran. Estudante de mestrado na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, Thales Righi afirma que os grandes escritórios de arquitetura e engenharia exigem do profissional conhecimento no que há de mais moderno em termos de softwares para elaboração de projetos.
Alguns programas podem custar mais de R$ 9 mil, como o AutoCAD Revit. “As grandes construtoras estão exigindo treinamento nesse tipo de software”, acrescenta o professor Leandro Medrano. Eles permitem elaborar não apenas a estrutura da construção, mas incluir diversas plantas em um mesmo projeto, como a rede hidráulica e a rede elétrica. “Antes as plantas eram desenhadas separadamente no papel e depois sobrepostas para verificar interferências.
Nos novos softwares, todas as plantas são montadas no mesmo modelo”, explica Righi. O mestrando cita outras evoluções na área que facilitam a vida dos projetistas, como lousas digitais interativas, onde um grupo de estudo pode fazer anotações virtuais sem alterar as características do desenho e incorporá-las ao projeto original caso seja necessário.